domingo, 10 de maio de 2020

Zilda Carmo de Almeida... mãe, te amamos!

    Minha mãe, Zilda Carmo de Almeida, é a grande referência para nós filho e filhas. Nascemos e crescemos juntos naquelas décadas maravilhosas de setenta, oitenta e noventa. Com simplicidade, dificuldades, mas também e principalmente, com muitas alegrias.
   Nossa mãe sempre cuidou de todos nós. Nos sustentou, defendeu, ensinou, corrigiu... nos encaminhou. Ela professora, nos fez, pelo exemplo, também todos professores. E ainda hoje sempre nos acompanha, nos defende e nos incentiva.
    
    Saí de casa aos 25 anos...e é nesse momento que passamos a sentir saudades. Sempre quando visito minha mãe, sei que vou sorrir muito das suas histórias hilárias e de seu jeito engraçado de falar. Também pergunto muito sobre as coisas do passado, de sua história de vida.
     Zilda é filha de Maria Pena de Araújo Carmo e João Damasceno do Carmo, sendo irmã de Isaac, Nelsonita, Celes e Ester. Lembra sempre que seu pai não media esforços para encamilhá-los à educação formal, sempre procurando matriculá-los e levá-los de canoa até a escola nas comunidades de Bujarú e de São Domingos do Capim.
    Zilda fez o Primário de 1961 à 1966 e o Ginásio de 1970 à 1973. Iniciou sua carreira como Professora do Estado em 1969 na comunidade Foz do Palheta, em São Domingos do Capim. Cursou Magistério de 1980 à 1982 no IEP- Instituto Educacional do Pará, em Belém. Estudava de janeiro à abril de cada ano, e retornava para o exercício da docência, neste período já na comunidade do Km 88 às márgens da Belém-Brasília.
Zilda, 1972

   Em 1985 fez, também pelo IEP, o curso de Estudos Adicionais em Letras. De 1984 à 1988 foi Diretora da Escola Adélia Carvalho Sodrré em Ipixuna, àquela época Distrito de São Domingos do Capim.
   De 1997 à 2002 foi Secretária Municipal de Assistência Social. Em 2001 colaborou para a criação do Conselho Municipal do Direito da Criança e do Adolescente, sendo a Presidente e ajudando a organizar a 1ª eleição e instalação do Conselho Tutelar na cidade de Ipixuna do Pará.
   No final da década de 1990 criou, juntamente com seu sobrinho Paulo Roberto do Carmo Braga, a letra e a música do Hino do Município de Ipixuna do Pará, na ocasião de um concurso que foi promovido pelo Departamento Municipal de Cultura.
   Em 2004, já aposentada, concluiu o curso de Pedagogia, pela Universidade Vale do Acaraú. Do início de 2006 ao final de 2009 foi Diretora da Escola Antônio Marques e em 2007 concluiu Pósgraduação em Gestão, Orientação e Supervisão Educacional pela Faculdade FIBRA.
 
Profª Rai, Irmã Malatí e Profª Zilda
    Muito me orgulho em saber e ver que meus pais trilharam, e têm como referência, a Teologia da Libertação. Em 1983 meu pai, minha mãe, junto com outros comunitários de Ipixuna fizeram cursos de formação no IPAR - Instituto de Pastoral Regional. Minha mãe sempre recorda de como era profundo e verdadeiramente libertador o estudo. Participavam várias pessoas dos sindicatos rurais e comunidades católicas que cantavam entusiasmados músicas que falavam dos direitos do povo, de luta e de libertação na caminhada cristã.
   Há uma lembrança, uma vivência e um aprendizado que minha mãe nunca esquece, que foi a convivência com as Irmãs do Imaculado Coração de Maria - IMC. Eram Irmã Mírian, Cris e Agnes, missionárias belgas e Irmã Malatí, missionária da Índia. Chegaram na comunidade de Ipixuna no início dos anos de 1980, permanecendo até o final da década.

   As Irmãs trabalhavam também nesta linha de um Cristianismo renovado. "Nos transmitiam a Palavra de Deus com seus simples jeito de ser, com verdadeiro sentido de viver a fraternidade, a partilha e a justiça", se lembra com grande sentimento, Zilda, minha mãe.
   A cada família que chegava na comunidade, as irmãs convidavam os dirigentes católicos para visitarem e receberem a nova família. Estavam sempre convivendo junto ao povo, enfrentando e superando as dificuldades, confraternizando e vivendo com alegria a vida cristã.

  Depois que as irmãs partiram para outras missões, sempre mantivemos o contato por correspondência. A irmã Malati está no Rio de janeiro e já retornou para visitar a comunidade algumas vezes.
  Minha mãe continua firme e forte na igreja. Em 2007 fez um Curso de Formação Teológica para Agentes Pastorais.
  
   Só posso dizer que tenho orgulho de ser filho de quem sou... uma mulher que só faz ficar mais linda a cada dia que passa... uma mulher sábia, batalhadora, vencedora, alegre e que construiu e constrói uma tragetória de vida incrível e inspiradora.
   Feliz dias das mães!
   Nós filhos e netos te amamos!

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Mesa Redonda: Os desafios da Democracia no Brasil

     Logo antes de começar o ano letivo o Professor Oseias me convidou para realizarmos uma mesa redonda na escola Irmã Agnes  sobre democracia. Tínhamos que agilizar antes que eu saísse para o Doutorado.
  Passamos três semanas trabalhando o tema em sala de aula nas disciplinas de Sociologia e Filosofia, convidamos os estudantes da manhã para comporem a mesa e fizemos uma conversa prévia para ajustarmos a dinâmica. 
  Foi a nossa segunda mesa redonda... tão maravilhosa quanto a primeira. Ficamos orgulhosos, pois percebemos que estamos contribuindo para a construção da autonomia dos estudantes. Com estes momentos eles próprios se dão conta do imenso potencial que carregam.

Baixe o o texto: Os desafios da Democracia no Brasil
por: Marcos Carmo de Almeida



Estudante Handson fazendo sua intervenção
Rodrigo, Prof. Marcos, Cleomara, Gabriela, Prof. Oséias


Mesa Redonda: Racismo não, diversidade sim!

      Em novembro de 2019, próximo à semana da consciência negra, realizamos na Escola Estadual de Ensino Médio Irmã Agnes Vincquier, a primeira mesa redonda da sua história, com o tema: racismo não! Diversidade sim!
     Antes porém, houve todo um planejamento e preparação entre todos os envolvidos. Primeiramente foi trabalhado em sala de aula o texto base para o debate: O que é e como é o racismo, de minha autoria.
    Entendemos que a mesa não deveria ser formada apenas por professores, por isso convidamos os estudantes para também comporem a mesa redonda e fazerem as suas falas. Fizemos nos horários da manhã da tarde e da noite. Foi magnífico! Os estudantes se saíram muito bem, o plenário ficou atento e ao final da exposição da mesa, fez pertinentes intervenções gerando um produtivo debate.

Período da manhã






 
 


Período da tarde
Estudante Cleomara do 2º ano, fazendo sua intervenção.

Estudante Flávia, do 1º ano, fazendo sua intervenção
Estudante Vitor, do 3º ano, fazendo sua intervenção

Período da noite

Algusta, Cristiane, Prof. Marcos, Prof. Igor e Poliana



segunda-feira, 4 de maio de 2020

Conflito de Terra na Foz do Maracaxí: Depois de 14 anos, vitória do povo.


Reunião, Maracaxí, 2013
     Quando fui vereador entre 2013 e 2016, fui chamado a ajudar as comunidades da Foz do Maracaxí a lutarem contra a ofensiva de fazendeiros que alegavam serem suas aquelas terras. Em 2014 a juíza da vara agrária de Castanhal havia determinado a reintegração de posse ao fazendeiro.
    Analizando o processo judicial, iniciado em outubro de 2005, percebi que o SIGEO, órgão técnico da própria vara agrária, havia constatado que as terras correspondentes ao documento do fazendeiro estavam circunscritas 20 Km distantes da área onde estavam as famílias de agricultores.
     Alertei os Advogados Tiago Paranhos e Mário Hesketh quanto a esta questão. Estes entraram com uma petição embasados nestes fatos e argumentos, conseguindo desta forma com que a reintegração fosse suspensa. O processso continuou e muita coisa aconteceu.

Reunião, Maracaxí, 2013

Documento fornecido pelo MDA, em 2014.

     Finalmente, depois de quase 14 anos, em 30 de julho de 2019 saiu a sentença favorável aos trabalhadores rurais, fundamentando o juiz a sua decisão, principalmente no ponto em que a defesa alegou, bem como no direito que os agricultores tinham de morar e trabalhar na área, concedido pela Superintendência do Patrimônio da União. Não tinha como ser diferente. 
    A partir de 2015 fui me afastando mais do processo. Em 2016 decidi não mais concorrer à reeleição, me dedicando à docência e ao estudo, o que fez me afastar ainda mais. mesmo sem manter contato com os agricultores atualmente, fico muito feliz com o resultado. A luta foi difícil, mas valeu apena.

Igarapé Maracaxí, 2013.

 Mais detalhes no meu antigo site: Blog do Marquinho: A luta pela terra no Maracaxí
                                                        Blog do Marquinho: Mobilização para regularização
                                                        Blog do Marquinho: Documentação de terra SPU







finalmente em julho de 2019