domingo, 9 de agosto de 2020

Ubaldo Pontes de Almeida: Pai, Cristão e Homem de Luta

Sempre quando penso no meu pai, penso em alegria. É impossível nos encontrarmos sem estremecer o ambiente com gostosas gargalhadas que aprendi com ele. São piadas, "causos" e histórias engraçadas. Também conversamos muito sobre política, fé e esperança de se viver em um mundo mais fraterno e justo.

Fraternidade, indignação diante da injustiça, fé, esperança e proatividade... estas coisas aprendi com minha mãe, meu pai e com minhas irmãs. Meus pais que sempre faziam cursos de formação no IPAR (Instituto de Pastoral Regional) junto com os companheiros de luta de toda a Belém-Brasília com o apoio do Padre Mosconi. E aprendemos muito da cristandade no acolhimento e na convivência das Irmãs do Imaculado Coração de Maria: Malathi, Agnes e Cris.

Meu pai trabalhava na roça com seus pais na comunidade Palheta em são Domingos do Capim. Casou com a professora da comunidade, minha mãe. 

Nesta década de 1970 foram morar na vila do KM 88 da Rodovia Belém-Brasília. Minha mãe atuava como professora e meu pai como auxiliar de saúde no hospital. Dedicavam-se à comunidade na participação da igreja católica e no sindicato dos trabalhadores rurais.

Na igreja dirigiam celebrações e trabalhavam para o fortalecimento e crescimento de uma igreja fraterna. No sindicato meu pai atuou como delegado sindical e se envolveu na luta pela conquista da terra Colônia União.

Em 1982, ano da mudança para a vila Ipixuna e do meu nascimento, as comunidades elegem Ubaldo Pontes de Almeida como vereador de São Domingos do Capim. Atuante, contribuiu muito para as comunidades, especialmente na educação e na luta pela terra.

Em outubro de 1983, o executor do INCRA de Tomé-Açu, Edgar Campos de Oliveira, enviou uma carta ao presidente da câmara de vereadores de São Domingos do Capim, acusando os padres e dirigentes católicos de incentivar os colonos a praticar violência na região em meio ao conflito de terra.

Diz a carta:

(…) que o interior de vosso município está tomado por grupos religiosos inescrupulosos, através de comunidades católicas mal orientadas por vigários de várias paróquias pertinentes a prelazia de Bragança,que bagunçam as mentes dos colonos, agitando-os de forma prejudicial ao bom andamento dos serviços do INCRA, que busca regularizar terras em defesa do desenvolvimento nacional, estadual e municipal. O que estamos sentindo é que a igreja despreparou-se, de maneira tal que (…) procura carrear adeptos, através de ataques sem direção às autoridades,leis,etc,tentando convencê-los a praticar atos violentos(…). Queremos salientar que temos sido incansáveis, buscando esclarecer e acalmar todos os contagiados por esta doença da ação desses grupos; (…) e com isso ganhando conceito e confiança em geral dos colonos (…) aos quais temos nos aproximado constantemente, resolvendo todos os problemas que são criados pelos advogados e líderes religiosos.

Estamos prontos para lutar contra as mentiras e desonestidades daqueles mensageiros satânicos que buscam deturpar as boas ideias e a lei; daqueles que pregam a mentira, procurando buscar apoio político para as próximas jornadas; daqueles que querem trazer ideias e cópias de países que não coadunam com a filosofia brasileira; daqueles que ao invés de progresso, trazendo atraso e conflitos. 

Podemos observar que o executor do INCRA utiliza uma linguagem dura para se referir à atuação da igreja católica, advogados e políticos de esquerda, nas comunidades rurais.Uma abordagem ríspida e direta, com um discurso dentro da tradição da política da direita, do governo ditatorial militar. Porém não ficou sem resposta. O vereador Ubaldo Pontes de Almeida, rapidamente envia ao INCRA de Tomé Açu a sua resposta, defendendo a igreja, as comunidades e a legitimidade da luta por terras e outros direitos.

Ubaldo responde:

Ao tomar conhecimento da carta (…) a qual tece críticas ofensivas às comunidades católicas e aos senhores vigários da diocese de Bragança, bem como à igreja e sua ação pastoral junto aos oprimidos (…) resolvi na qualidade, primeiro, de membro efetivo desta mesma igreja (…), depois como vereador eleito por esta comunidade e também como líder comunitário, repudiar todas as acusações, tendo em vista a seriedade dos trabalhos da igreja, através de suas comunidades de base, de seus vigários e líderes, em conscientizar o homem, especialmente o homem pobre, acerca de seus direitos fundamentais de propriedade, e ajudá -lo a conquistar para si e para os seus.

O INCRA até hoje só defende os latifundiários, os fazendeiros e o poder político implantado desde 1964 no país. A igreja sabe que a terra é dom de Deus (Gen. 12,7). Por estas causas, defendo os pobres e oprimidos. A igreja tem hoje dois padres e 13 posseiros presos e condenados injustamente, porque estavam a frente do projeto de Deus, na luta pelos direitos que o homem tem de nascer, viver e habitar a terra, e tirar dela o seu sustento.    

É por essa coragem de lutar e pela dedicação ao próximo e à comunidade que nós filho e filhas temos orgulho orgulho do pai que temos.

Ubaldo ajudou sua família na roça, trabalhou na saúde, se dedicou à igreja, aderiu e vivenciou a teologia da libertação, atuou no sindicato, foi vereador. Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores em Ipixuna, foi corajosamente candidato à Prefeito de São Domingos do Capim em 1988, contribuiu para a emancipação de Ipixuna do Pará, ajudou o grupo do sindicato à ganhar às primeiras eleições em 1992. Neste primeiro governo foi Secretário de Administração e Secretário de Saúde.

Hoje meu pai é aposentado e nos últimos anos, com um grande incentivo da minha irmã Silvia, ele concluiu o curso de Técnico em Enfermagem pelo Pronatec.

Pai com o senhor aprendi que não devemos agredir a mulher, que temos que lutar contra o racismo, que temos que ter coragem e dedicação para lutar a favor de causas justas e que temos que viver com alegria, com gratidão e com esperança.

Lhe amamos!

Feliz dia dos pais!

quarta-feira, 1 de julho de 2020

III Seminário de Interdisciplinaridade PDTSA-UNIFESSPA

 
  Dia 19 de maio de 2020 foi dado início ao III Seminário de Incorporação da Interdisciplinaridade do PDTSA / UNIFESSPA, com uma mesa redonda realizada pelos professores Iran, Célia e Tiese.
    PDTSA é o Programa Interdisciplinar de Pós-Graduação em Dinâmicas Territoriais e Sociedade na Amazônia da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, com sede em Marabá
   A Professora Doutora Célia fala que o surgimento do programa interdisciplinar tem como um dos motivos a ainda pouca quantidade de doutores formados em cada área dos diversos campos de estudo na UNIFESSPA, sendo portanto necessário juntar os doutores das Ciências Sociais (que já é multidisciplinar), da História, da Educação e das Ciências Agrárias, para possibilitar a construção de um programa de pós-graduação.
  Fala do desafio que é trabalhar a interdisciplinaridade. Desafio este, não só para os estudantes do programa, mas também para os professores, pois cada professor vem de uma formação específica. Há portanto a necessidade de uma intercompreensão e o cuidado com a sobreposição de presupostos teóricos.
   Alerta ainda para o cuidado que se deve ter na constução da pesquisa e utilização de autores, no sentido de utilizá-los como referências coerentes com um sistema teórico que deve dar sustentação às pesquisas e desenvolvimento teórico das dissertações, sendo o ecletismo desavisado (que ocorre em alguns casos) um equívoco a ser superado pelos estudantes sob a orientação dos professores do programa.
   O Programa é promissor, já está com 9 anos, e esperamos que logo esteja apto a oferecer doutorado. A região Sul e Sudeste do Pará, haja visto a grande quantidade e diversidade de conflitos agrários e atuação de movimentos sociais, é um laboratório aberto para o campo de estudo das Ciências Humanas, proporcionando oportunidade para o ensino, para a pesquisa e projetos de extensão universitária, que certamente contribui e contribuirá para uma auto-reflexão acerca de questões da Amazônia, no sentido de apontar caminhos e mobilizar caminhadas.

Vamos acompanhar o debate:


sábado, 27 de junho de 2020

Conexão Brasil-Canadá: Educação e trajetória (live 26.06.2020)

   Tivemos a oportunidade de fazermos um bate papo ao vivo com o Engº Mecânico Emanuel Bruno, que nasceu e se criou na cidade Ipixuna do Pará, filho de família simples e querida da comunidade.      
  Cursou a educação básica toda em escola pública. A partir de 2005 fez o cursinho de um projeto do poder público local, simultaneamente ao ensino médio. Cursou Engenharia Mecânica na UFPA, fez intercâmbio no Canadá, pelo programa Ciências sem Fronteiras, cursou Mestrado na Universidade de Waterloo e logo em seguida foi contratado por uma importante empresa de soldagens com sede no Canadá. Iniciou seu curso na UFPA em 2009 e foi contratado pela empresa, já com o Mestrado, em 2016. 
  Já participou de congressos acadêmicos em Tókio e Xangai apresentando seus trabalhos de pesquisa e na empresa já desemvolveu pojetos de construção na Coréia do Sul e em outros países.
  Outros amigos e amigas do Bruno que fizeram cursinho também tiveram êxito como Engenheiros Ambientais, Geólogos, Enfermeiros e Professores, e isto dá um imenso orgulho para nossa comunidade e para todos os que se identificam com as classes populares.
  Bruno tem um forte sentimento de pertencimento ao seu lugar. Nunca esquece de ressaltar a importância de seus pais, seus profesores e sua comunidade para a concretização de seus projetos e sonhos.
  Ressalta ainda Bruno que as pessoas que o ajudaram na sua trajetória não tem como ser ajudadas por ele, por isso ele procura retribuir ajudando outros jovens estudantes que precisam de apoio.
  Em breve estaremos todos nós confraternizando quando ele vier mais uma vez nos visitar. Como de costume, momentos festivos regados à conversas, cerveja, música e muita alegria.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Reflexões sobre o racismo no Brasil (Live 15.06.2020)

   Dia 15 de junho de 2020 participei da live Reflexões sobre o racismo no Brasil: Desconstruindo o mito da democracia racial.
   Participaram também José Júnior Paixão, Pedagogo e Pofessor de Geografia e Everton Teton, um maravilhoso comunicador que tem uma excelente audiência na internet. 
  Acompanharam ao vivo pelo facebook mais de 700 pessoas e foram realizados mais de 100 comentários dos internautas que participaram com importantes perguntas, colocações e palavras de incentivo.
   Este debate é uma forma de empoderamento das classes populares. Empoderamento este no campo da política e das mídias sociais, simultaneamente. Já que não temos espaço na grande mídia, façamos então o nosso espaço na internet.
   No meio de tanto ódio e ignorância postado na internet, tivemos a oportunidade de semear coisas boas como: conhecimento, solidariedade e esperança de vivermos em uma sociedade mais justa. E isso só será possível se agirmos cotidianamente na escola, no sindicato, nas igrejas, nas ruas e nas mídias sociais.

Acompanhe o debate...


segunda-feira, 1 de junho de 2020

Bispo Dom Manoel Filho

    Tive a felicidade de conhecer e construir prazerosa amizade com o Padre Manoel Filho na oportunidade em que fizemos juntos o curso de Ciências Sociais na cidade de Rondon do Pará, no período de 2004 à 2008. O curso foi realizado na modalidade intervalar, ou seja, estudávamos de forma intensiva no período das férias escolares.
    Em 19 de Dezembro de 2018 Manoel de Oliveira Filho Soares foi nomeado pelo Papa Francisco como Bispo de Palmeira dos Índios, Estado de Alagoas, portanto passando agora a ser chamado Dom Manoel Filho.
    Tive a imensa satisfação de receber seu convite e participar da cerimônia de ordenação ocorrida em Bragança no dia 24 de Fevereiro de 2019. Foi um momento maravilhoso: o coral, a orquestra e uma multidão de várias comunidades por onde o querido padre passou. Com sua simplicidade e carisma, Dom Manoel prendeu a atenção de todos... nos seus humildes gestos durante a cerimônia e no seu discurso, quando falou que não acreditou quando recebeu a notícia de sua nomeação. Aparentemente não se considerava à altura de tamanho desafio, assim como o profeta Moisés também não se achou quando chamado por Deus.
Ordenação de Dom Manoel Filho. Bragança 24 de fev. de 2019
   Dom Manoel Filho nasceu e se criou nas comunidades rurais da Cidade de São Domingos do Capim. Em entrevista ao site cnbbn2.com.br Dom Manoel Filho afirmou:
   Sou filho de agricultor e me considero agricultor também. Até hoje, por onde eu passo eu planto e colho. Trabalhei com meu pai na roça até o momento de entrar para o Seminário em 1983. (...) Nós não tínhamos Igreja perto de nós. Ouvíamos a Missa pelo Rádio desde o início da década de 80. Mas a fé foi cultivada ali, em nossa família. Depois surgiram as comunidades, aí me envolvi na Igreja. Eu era o único menino da minha comunidade que sabia ler, cheguei uma vez pro culto dominical e alguém me deu o boletim da Missa e disse: ‘toma, hoje você vai ler essa leitura aqui’. Então me envolvi no trabalho das comunidades e me animei tanto que em 1983 a Irmã Raimunda Dorilene me convidou para ir pro Seminário e eu aceitei. Fui e descobri minha vocação!
 
Ordenação de Dom Manoel Filho. Bragança 24 de fev. de 2019
 
  Papa Francisco dá um maravilhoso presente à comunidade católica e à sociedade de forma geral, haja visto o prestígio e a influência desta igreja. Dom Manoel Filho é um homem constituído nas comunidades da Amazônia. Conhece as dificuldades e as alegrias do povo, seja pela sua origem, seja pela atuação nas paróquias. Além de ter a formação do seminário em Filosofia e Teologia, Cursou também Ciência da Religião, e se tornou Sociólogo pela UFPA, fazendo também pósgraduação na mesma instituição.
  Como ele mesmo se definiu, é um agricultor. Se identifica com o trabalho na terra, com as comunidades rurais e com as causas sociais. Tem vivência com as comunidades, tem conhecimento acadêmico, sensibilidade para com as causas do povo e um humor maravilhoso que cativa todos ao seu redor.
Ordenação de Dom Manoel Filho. Bragança 24 de fev. de 2019
    Tive a felicidade de ver que Dom Manoel Filho se interessou em ler meu livro. Em 31 de março ele fez um comentário no meu blog, me parabenizando e me informando que já havia baixado o livro e que iria ler.

domingo, 10 de maio de 2020

Zilda Carmo de Almeida... mãe, te amamos!

    Minha mãe, Zilda Carmo de Almeida, é a grande referência para nós filho e filhas. Nascemos e crescemos juntos naquelas décadas maravilhosas de setenta, oitenta e noventa. Com simplicidade, dificuldades, mas também e principalmente, com muitas alegrias.
   Nossa mãe sempre cuidou de todos nós. Nos sustentou, defendeu, ensinou, corrigiu... nos encaminhou. Ela professora, nos fez, pelo exemplo, também todos professores. E ainda hoje sempre nos acompanha, nos defende e nos incentiva.
    
    Saí de casa aos 25 anos...e é nesse momento que passamos a sentir saudades. Sempre quando visito minha mãe, sei que vou sorrir muito das suas histórias hilárias e de seu jeito engraçado de falar. Também pergunto muito sobre as coisas do passado, de sua história de vida.
     Zilda é filha de Maria Pena de Araújo Carmo e João Damasceno do Carmo, sendo irmã de Isaac, Nelsonita, Celes e Ester. Lembra sempre que seu pai não media esforços para encamilhá-los à educação formal, sempre procurando matriculá-los e levá-los de canoa até a escola nas comunidades de Bujarú e de São Domingos do Capim.
    Zilda fez o Primário de 1961 à 1966 e o Ginásio de 1970 à 1973. Iniciou sua carreira como Professora do Estado em 1969 na comunidade Foz do Palheta, em São Domingos do Capim. Cursou Magistério de 1980 à 1982 no IEP- Instituto Educacional do Pará, em Belém. Estudava de janeiro à abril de cada ano, e retornava para o exercício da docência, neste período já na comunidade do Km 88 às márgens da Belém-Brasília.
Zilda, 1972

   Em 1985 fez, também pelo IEP, o curso de Estudos Adicionais em Letras. De 1984 à 1988 foi Diretora da Escola Adélia Carvalho Sodrré em Ipixuna, àquela época Distrito de São Domingos do Capim.
   De 1997 à 2002 foi Secretária Municipal de Assistência Social. Em 2001 colaborou para a criação do Conselho Municipal do Direito da Criança e do Adolescente, sendo a Presidente e ajudando a organizar a 1ª eleição e instalação do Conselho Tutelar na cidade de Ipixuna do Pará.
   No final da década de 1990 criou, juntamente com seu sobrinho Paulo Roberto do Carmo Braga, a letra e a música do Hino do Município de Ipixuna do Pará, na ocasião de um concurso que foi promovido pelo Departamento Municipal de Cultura.
   Em 2004, já aposentada, concluiu o curso de Pedagogia, pela Universidade Vale do Acaraú. Do início de 2006 ao final de 2009 foi Diretora da Escola Antônio Marques e em 2007 concluiu Pósgraduação em Gestão, Orientação e Supervisão Educacional pela Faculdade FIBRA.
 
Profª Rai, Irmã Malatí e Profª Zilda
    Muito me orgulho em saber e ver que meus pais trilharam, e têm como referência, a Teologia da Libertação. Em 1983 meu pai, minha mãe, junto com outros comunitários de Ipixuna fizeram cursos de formação no IPAR - Instituto de Pastoral Regional. Minha mãe sempre recorda de como era profundo e verdadeiramente libertador o estudo. Participavam várias pessoas dos sindicatos rurais e comunidades católicas que cantavam entusiasmados músicas que falavam dos direitos do povo, de luta e de libertação na caminhada cristã.
   Há uma lembrança, uma vivência e um aprendizado que minha mãe nunca esquece, que foi a convivência com as Irmãs do Imaculado Coração de Maria - IMC. Eram Irmã Mírian, Cris e Agnes, missionárias belgas e Irmã Malatí, missionária da Índia. Chegaram na comunidade de Ipixuna no início dos anos de 1980, permanecendo até o final da década.

   As Irmãs trabalhavam também nesta linha de um Cristianismo renovado. "Nos transmitiam a Palavra de Deus com seus simples jeito de ser, com verdadeiro sentido de viver a fraternidade, a partilha e a justiça", se lembra com grande sentimento, Zilda, minha mãe.
   A cada família que chegava na comunidade, as irmãs convidavam os dirigentes católicos para visitarem e receberem a nova família. Estavam sempre convivendo junto ao povo, enfrentando e superando as dificuldades, confraternizando e vivendo com alegria a vida cristã.

  Depois que as irmãs partiram para outras missões, sempre mantivemos o contato por correspondência. A irmã Malati está no Rio de janeiro e já retornou para visitar a comunidade algumas vezes.
  Minha mãe continua firme e forte na igreja. Em 2007 fez um Curso de Formação Teológica para Agentes Pastorais.
  
   Só posso dizer que tenho orgulho de ser filho de quem sou... uma mulher que só faz ficar mais linda a cada dia que passa... uma mulher sábia, batalhadora, vencedora, alegre e que construiu e constrói uma tragetória de vida incrível e inspiradora.
   Feliz dias das mães!
   Nós filhos e netos te amamos!

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Mesa Redonda: Os desafios da Democracia no Brasil

     Logo antes de começar o ano letivo o Professor Oseias me convidou para realizarmos uma mesa redonda na escola Irmã Agnes  sobre democracia. Tínhamos que agilizar antes que eu saísse para o Doutorado.
  Passamos três semanas trabalhando o tema em sala de aula nas disciplinas de Sociologia e Filosofia, convidamos os estudantes da manhã para comporem a mesa e fizemos uma conversa prévia para ajustarmos a dinâmica. 
  Foi a nossa segunda mesa redonda... tão maravilhosa quanto a primeira. Ficamos orgulhosos, pois percebemos que estamos contribuindo para a construção da autonomia dos estudantes. Com estes momentos eles próprios se dão conta do imenso potencial que carregam.

Baixe o o texto: Os desafios da Democracia no Brasil
por: Marcos Carmo de Almeida



Estudante Handson fazendo sua intervenção
Rodrigo, Prof. Marcos, Cleomara, Gabriela, Prof. Oséias


Mesa Redonda: Racismo não, diversidade sim!

      Em novembro de 2019, próximo à semana da consciência negra, realizamos na Escola Estadual de Ensino Médio Irmã Agnes Vincquier, a primeira mesa redonda da sua história, com o tema: racismo não! Diversidade sim!
     Antes porém, houve todo um planejamento e preparação entre todos os envolvidos. Primeiramente foi trabalhado em sala de aula o texto base para o debate: O que é e como é o racismo, de minha autoria.
    Entendemos que a mesa não deveria ser formada apenas por professores, por isso convidamos os estudantes para também comporem a mesa redonda e fazerem as suas falas. Fizemos nos horários da manhã da tarde e da noite. Foi magnífico! Os estudantes se saíram muito bem, o plenário ficou atento e ao final da exposição da mesa, fez pertinentes intervenções gerando um produtivo debate.

Período da manhã






 
 


Período da tarde
Estudante Cleomara do 2º ano, fazendo sua intervenção.

Estudante Flávia, do 1º ano, fazendo sua intervenção
Estudante Vitor, do 3º ano, fazendo sua intervenção

Período da noite

Algusta, Cristiane, Prof. Marcos, Prof. Igor e Poliana



segunda-feira, 4 de maio de 2020

Conflito de Terra na Foz do Maracaxí: Depois de 14 anos, vitória do povo.


Reunião, Maracaxí, 2013
     Quando fui vereador entre 2013 e 2016, fui chamado a ajudar as comunidades da Foz do Maracaxí a lutarem contra a ofensiva de fazendeiros que alegavam serem suas aquelas terras. Em 2014 a juíza da vara agrária de Castanhal havia determinado a reintegração de posse ao fazendeiro.
    Analizando o processo judicial, iniciado em outubro de 2005, percebi que o SIGEO, órgão técnico da própria vara agrária, havia constatado que as terras correspondentes ao documento do fazendeiro estavam circunscritas 20 Km distantes da área onde estavam as famílias de agricultores.
     Alertei os Advogados Tiago Paranhos e Mário Hesketh quanto a esta questão. Estes entraram com uma petição embasados nestes fatos e argumentos, conseguindo desta forma com que a reintegração fosse suspensa. O processso continuou e muita coisa aconteceu.

Reunião, Maracaxí, 2013

Documento fornecido pelo MDA, em 2014.

     Finalmente, depois de quase 14 anos, em 30 de julho de 2019 saiu a sentença favorável aos trabalhadores rurais, fundamentando o juiz a sua decisão, principalmente no ponto em que a defesa alegou, bem como no direito que os agricultores tinham de morar e trabalhar na área, concedido pela Superintendência do Patrimônio da União. Não tinha como ser diferente. 
    A partir de 2015 fui me afastando mais do processo. Em 2016 decidi não mais concorrer à reeleição, me dedicando à docência e ao estudo, o que fez me afastar ainda mais. mesmo sem manter contato com os agricultores atualmente, fico muito feliz com o resultado. A luta foi difícil, mas valeu apena.

Igarapé Maracaxí, 2013.

 Mais detalhes no meu antigo site: Blog do Marquinho: A luta pela terra no Maracaxí
                                                        Blog do Marquinho: Mobilização para regularização
                                                        Blog do Marquinho: Documentação de terra SPU







finalmente em julho de 2019

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Conflitos do Araguaia, Trabalhadores e Produção Acadêmica


    Raimundo Ferreira Lima, o "Gringo", Sindicalista da Região do Araguaia, foi assassinado pelo poderio do latifúndio no ano de 1980. Sua esposa e seus filhos, mesmo marcados por sua perda familiar, pela impunidade e pela continuidade da pressão dos poderosos nos anos recentes que se seguiram, continuou a família nos rumos da luta pela Democracia e pela justiça social, seja por meio do Sindicato e Pastorais, seja por meio da Educação.

Abaixo: Alex, Gringo e Maria Oneide
                      

                        


    Talvez pensemos: Por que pessoas como Gringo se arriscavam tanto lutando pelos direitos do povo naquele momento em que o Brasil passava por uma Ditadura? Poderiam muito bem ficarem quietos e preservarem suas vidas. Então será que não tinham amor pela própria vida? A resposta é sim e mais que isso. 
    Amavam não só a sua vida, mas a vida de todos os humanos. Mas não uma vida só no sentido de estar vivo, mas sim a vida plena! Uma vida em que as famílias tenham direito à terra, à paz e à justiça.
    Por isso Padre Zé Vicente e a comunidade de luta cantam que estas pessoas são

"(...) a semente, sangue desta gente
Que fecunda o chão, do Gringo e tantos
Lavradores Santo e operarios em libertação"


    Tive o grande prazer de conhecer e construir fraterna amizade com Alex Costa Lima, filho de Gringo e Maria Oneide, na oportunidade em que fizemos o curso de Ciências Sociais, pela UFPA, em Rondon do Pará, de 2004 a 2008. 

Alex, camisa 11, Marcos Almeida, camisa 9

    Alex Costa Lima cursou Mestrado pelo PDTSA (Programa de Pós-graduação em Dinâmicas Territoriais e Sociedade na Amazônia) da UNIFESPA (Universidade Federal do sul e Sudeste do Pará). Defendeu sua disertação dia 30 de abril de 2020, sob o título Padres e Posseiros de São Geraldo do Araguaia: O caso do Cajueiro (resumo).

Da esquerda para direita: Airton, Alex, Edna e Ricardo.

    A banca examinadora foi composta pelo Professor Orientador Airton Pereira (UEPA), Professor Ricardo Resende (UFRJ) e Professora Edna Moreira (Unifesspa).

   Se há conflito agrário é porque há controrvésias quanto a distribuição de terras. As famílias precisam de terra para trabalhar, produzir, se sustentar e para nela viver. Trabalho, política, educação e até mesmo a perspectiva religiosa se entrelaçam na realidade do conflito agrário. 
   Faço esta publicação em primeiro de maio de 2020 como uma homenagem ao dia do trabalhador, muito feliz por essa conquista do meu amigo amigo Professor Alex, que também representa uma importante conquista para os trabalhadores rurais, comunidade acadêmica e movimentos sociais do Sul e Sudeste do Pará. 


Mais sobre no blog: Rogério Almeida


terça-feira, 7 de abril de 2020

Docência PARFOR / Unifesspa

Tive a felicidade de exercer a docência na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará pelo programa Parfor.
As cidades foram Breu Branco e Moju. Foram quatro turmas de Pedagogia. Excelentes pessoas com experiências maravilhosas na vida e no magistério. 
Pude aprender muito com a esta rica experiência e compartilhar um pouco de conhecimento.

Disciplinas que ministrei:

Janeiro / Fevereiro de 2019

1. Antropologia da Educação.
2. Sociologia da Educação.

Julho / Agosto de 2019

1. Sociedade, Estado e Educação.
2. Concepções Filosóficas da Educação.

Janeiro / Fevereiro de 2020

1. Teoria do Currículo II.
2. Avaliação Educacional.